Faça a compaixão entrar na moda

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Todos gostam de amar. O amor é o fundamento de tudo e provavelmente seja a mais incompreendida e mal empregada palavra do dicionário. Deixar o amor permear cada célula do nosso corpo e abrir o coração para ser quem realmente somos é um grande desafio e exige coragem. Quando ouço algumas histórias de amor, consigo ter a noção do quanto esse sentimento tão nobre e puro é limitado em nossas relações humanas. Isso acontece porque não sabemos o que ele é. A mágoa, o apego, decepções e desilusões são frequentes em conversas com nossas melhores amigas, mas, esquecemos de que o amor não é nada disso. Ele não se mistura.

Dentro de cada uma de nós se encontra um potencial para uma felicidade maior. Por instinto, conhecemos este lugar, mas ele ainda é inexplorado. O medo e os traumas da violência que nossas ancestrais experimentaram com o passar dos tempos nos afastaram dele. Contudo, podemos notar que experiências difíceis nos ensinaram indiretamente lições essenciais, tornando-nos mais fortes e dando-nos a coragem para sermos destemidas.

Com tristeza e desesperança muitas pessoas me perguntam: Neste mundo aparentemente tão insensível será possível viver de coração aberto e amoroso? Há quem dê risada desse assunto, eu sei, mas, é sério e precisa ser falado. Possuímos uma grande dificuldade em entender e aceitar que o mal nunca deixará de ser o que é, portanto, ele nunca promoverá justiça. É uma lei universal e ninguém pode mudar as leis naturais que nos envolvem.

Já provamos que a guerra não funciona, o ato de lutar e matar em nome de uma religião, no intuito de controlar e dominar nunca trouxe um final feliz, pois há sempre sofrimento e angústia. Então, como descobrir dentro de nós este lugar puro e intocável mesmo no meio de nossas maiores crises e intenso desespero? Eu descobri sofrendo por anos e tendo crises de choro escondido. O medo fechou o meu coração e foi muito difícil aprender a amar. Descobri que é mais fácil dizer o que não é amor.

Quando experimentei minha maior experiência com a dor, tinha quatro anos. Quase acreditei que o peso da violência já tivesse destruído minha vida, mas, não. A espiritualidade não deixou que eu fosse embora antes do tempo. É difícil caminhar sozinha ou quando ilusoriamente acha que está. Quando me tornei alvo da violência, a única coisa que eu não queria era passar por uma experiência parecida. Abrir o coração para o amor incondicional rompeu os limites que me causavam tanta solidão, insegurança, dor e tanto medo. As pessoas são cruéis e inconfiáveis, você pode me dizer, mas abra o coração primeiro para si. Costumamos fazer o contrário e isso gera conflitos de relacionamento. Achamos que trancando nosso coração em relação aos outros vamos estar protegidas, mas, estamos de fato, calando a natureza e a amorosidade do nosso ser adiando nosso encontro pleno de felicidade.

Estamos acreditando equivocamente em uma expressão inadequada do amor – expressão humana envolvida com muito ego, dor e tristeza.

Enquanto seres humanos, desenvolvemos nossas mentes em ritmo alarmante. O homem foi pra Lua, somos capazes de nos comunicar com qualquer pessoa do planeta. Temos na palma da mão toda a tecnologia que precisamos, mas, não somos ainda capazes de perdoar com sinceridade e amar quem nos machucou gravemente. Ainda existe depressão, isolamento, rejeição e abuso, inimizade, fanatismo e cobiça. Os direitos humanos são violados diariamente, a pobreza e o desabrigo são tão comuns que já nem os percebemos. Tendo colocado tanta energia na criação de um mundo material confortável e luxuoso, ignoramos o fato de que para a vida se tornar plena, precisamos também nos abraçar mais, abrir nossos corações e introduzir a compaixão em nossas vidas. Sem isso, nosso prazer terá curta duração e em breve se tornará vazio e sem sentido. Estou mentindo? Estamos tão absortos na busca do desenvolvimento material, da competição que sem perceber negligenciamos algumas das qualidades extremamente fundamentais que são a compaixão e cooperação.

Vivemos numa sociedade que explora ao limite nossa carência. Dificilmente vemos uma propaganda enquanto lemos uma revista, um jornal ou assistimos a tv sem uma certa sensação de falta. Por exemplo, você não tem as roupas certas, não tem o celular mais caro, não é competente o suficiente ou usa o perfume errado. Parece que nunca sem tem o suficiente para preencher o vazio.

Abrir o coração é experimentar o prazer ante a beleza e a maravilha do momento presente. Significa falar sobre os sentimentos e acontecimentos ao invés de esconde-los. Fale. Conte pra alguém. Reconheça, aceite e transforme quem você é com honestidade e coragem. Transformação que envolve aceitar tudo o que está mantendo o coração fechado e abri-lo para todos os medos, a raiva, culpa, vergonha, condenação, para a criança vítima de abuso, o amante rejeitado e erros cometidos. Isso trata-se da aceitação da própria vulnerabilidade ou apenas da aceitação de sermos humanas.

A espiritualidade me mostrou que há um lugar dentro em mim onde não há dor e ela me faz experimentar a existência dele todos os dias. É único e especial esse momento. Lá ninguém pode me machucar ou simplesmente ousar invadir qualquer centímetro de espaço. Quando fiquei consciente disso, me senti segura para viver em paz. Encontre aonde mora a sua essência e não negue sua natureza.

A negação do sofrimento e a inadequação no ambiente significa que nossos verdadeiros sentimentos ficam reprimidos e/ou contidos. Reprimir a dor nos isola e a resistência ao sofrimento traduz a ausência de força vital e quem de fato somos acaba ficando oculto. Quando o ódio fecha nosso coração, a ilusão nos induz a acreditar que as coisas são permanentes, mas, elas não são. Tudo vai e vem. Nasce e morre. A resistência então, cria o conflito.

Quando decidi olhar pra quem eu era, alguém importante me enviou uma frase de Sartre, a qual ele diz “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.”. Portanto, observe como a resistência se manifesta no seu dia a dia e quais os sentimentos que afloram. Observe como a resistência julga e como você adiciona rótulos. Observe como você respira e trata as pessoas. Observe como você chegou aonde está. Foi em comunidade. Nós, mulheres precisamos mais disso. União. São tempos de revolução. Uma revolução silenciosa, pois, acontece dentro de cada coração e pessoas unidas mudam um cultura.

Todos os tipos de violência somente serão eliminados com amor.

Este texto foi escrito para mulheres, mas, homens se encaixam perfeitamente. Sabem por que? Porque quando falamos de humanidade, simplesmente não existe diferença nenhuma entre nós. Vamos fazer a compaixão entrar na moda.

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Daniela Machado da Luz
Me chamo Daniela Machado da Luz e é com muita alegria que faço essa parceria com o Portal Plural. Vos digo, que aos 15 anos de idade, eu achava ser alguém que sabia algo. Aos 18, vi que não sabia muito, só conseguia ver que minha existência se igualava ao tamanho de uma pequena pedra no meio da poeira. Aos 19, morei perto da praia e acreditem, transformei-me em grão de areia. Então, agora com 21, há quem me pergunte “Você realmente existe?”. Não estou me tornando em nada porque do nada não vim. O nada não existe. Apenas tento viver consciente de que eu e o Universo inteiro somos Um. Desde cedo fui uma leitora voraz e logo fui atraída pelo estudo da ciência e espiritualidade. Lia absolutamente de tudo e foi aí que notei que estava adquirindo uma bagagem intelectual muito grande. Então tomei a decisão de compartilhar (este pouco que sei) com as demais pessoas porque se hoje eu sei algo foi porque alguém compartilhou comigo. No entanto, compartilhar conteúdos e momentos despertaram em mim influenciada por Sócrates, a ideia de que quanto mais eu estudo menos eu sei. Ao longo de alguns anos estudei Administração de empresas, desenvolvi meu talento com a fotografia, me tornei vegetariana pelos animais e hoje curso Psicologia. Meu objetivo através dos textos é promover uma revolução e pasmem, ela já está acontecendo! Há uma revolução silenciosa aparentemente, mas, é porque ela é interior e quero que através de meus textos você procure concentrar sua atenção não para a autora, mas, sim, para si mesmo. Eu sou um ser humano como todos os outros. E você é a pessoa mais importante para você mesmo, por isso, invista em sua saúde mental e espiritual. Valorize a vida que possui olhando através dos olhos da alma e ame! O amor quando é verdadeiro não possui identidade. Ele age onde não há bloqueio. Que entre mim e você, não haja identidade. Apenas Amor.

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