Intimidade: Do que adianta ter medo da profundidade se o perigo está na superfície?

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Conheci o amor em pessoa enquanto viajava. Ele tem olhos verdes e um cérebro brilhante. Eu não sabia e hoje entendo que sentei ao seu lado porque precisava dele. Amar nunca foi fácil e houve um momento em que meu coração bateu forte, sorri e fingi estar dormindo enquanto o amor cansado de tantas outras viagens, resolveu descansar encostando sua cabeça em meu ombro dentro de um ônibus. Não consigo falar ou simplesmente escrever sobre intimidade sem citar o amor, ou melhor, nós dois. Sorri sem pressa. Acreditei sem medo. Amar de verdade me mostrou que pra ser feliz não havia segredo.

Escrevo este texto e de acordo com alguns intervalos olho para o único porta-retrato que há em minha mesa. Na foto, o amor sorri enquanto me abraça. Ele gentilmente pediu permissão para entrar em minha vida, pois, eu estava vivendo há dias com medo. Fui acolhida e quanto mais íntimos ficávamos, mais confiávamos um no outro. Ser superficial já havia nos machucado muito, por isso aprendemos a conhecer a nós mesmos. Amar exige de nós maturidade, um propósito e escolhas. Você nunca irá se aprofundar numa relação enquanto não estiver pronto porque experimentar a entrega faz com que você conheça o seu próprio coração para não machucar o do outro.

A maioria das pessoas teme a intimidade. Quando você carrega um medo enorme e tenta esconder isso do outro é claro que você terá problemas de relacionamento porque não tem coragem de se abrir, não relaxa e até sente vergonha. Então, a intimidade é uma ameaça. Ela faz com que você entre em contato com as partes das quais você foge e há quem escolha ficar preso na superfície. A intimidade mostra suas imperfeições que estão invisíveis à luz do olhar, portanto, despir a alma é bem mais difícil que despir o corpo.

A verdadeira intimidade entre duas pessoas acontece quando há permissão para que ela aconteça. Fui tornando-me íntima do amor quando ele mesmo fez uma janta quando me convidou para nosso primeiro encontro. Andamos de mãos dadas, ele me pediu um beijo, dias depois ele me ofereceu uma carona pra faculdade, ousou perguntar se eu tinha um propósito e teve mais coragem ainda pra perguntar se eu era feliz. Tudo isso olhando dentro dos meus olhos. Estávamos nos entregando e a cada dia mergulhávamos mais fundo. Confiei nele porque ele via quem eu era de verdade. Via alguém completa, porém, que não precisava mais enfrentar todos os seus problemas sozinha e meus olhos diziam que a recíproca era verdadeira. Chegamos num ponto em que amo ouvir ele falar da vida e ganhar flores ou um anel é a última coisa que eu possa me interessar.

Para ter uma relação saudável e duradoura é necessário romper as barreiras que nos separam da humildade. Sendo humildes, aprendemos a dizer mais “nós” do que “eu”. Decidir alcançar esta profundidade exige de nós muito trabalho e é aí que a intimidade vai entrando. Temos de esculpir-nos dia após dia. Encarar as próprias dores com franqueza e com alguém ao nosso lado gera desconforto, mas, quando há amor aceitamos com menos sofrimento e a maturidade nos ajuda a entender tudo com tranquilidade. Literalmente decidir viver a dois não é para os egoístas. É um momento marcante na vida de qualquer pessoa. Se você não está preparado para compartilhar sua vida com alguém especial aproveite o tempo que tem se preparando para isso, ou seja, conhecendo-se. Você poderá ver que também não é necessário viver a dois para ser feliz, pois, você possui tudo o que precisa.

Nossas cicatrizes servem para mostrar ao outro que apesar da dor, ainda estamos de pé. Encante-se pela intimidade, pois, o tempo passa, o corpo muda, a idade chega, adoecemos, envelhecemos, a flor mais bonita também murcha e quem casa por aparência também descasa pelo mesmo motivo. Portanto, acima de tudo, ande de mãos dada com o amor, de preferência o próprio.

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Daniela Machado da Luz
Me chamo Daniela Machado da Luz e é com muita alegria que faço essa parceria com o Portal Plural. Vos digo, que aos 15 anos de idade, eu achava ser alguém que sabia algo. Aos 18, vi que não sabia muito, só conseguia ver que minha existência se igualava ao tamanho de uma pequena pedra no meio da poeira. Aos 19, morei perto da praia e acreditem, transformei-me em grão de areia. Então, agora com 21, há quem me pergunte “Você realmente existe?”. Não estou me tornando em nada porque do nada não vim. O nada não existe. Apenas tento viver consciente de que eu e o Universo inteiro somos Um. Desde cedo fui uma leitora voraz e logo fui atraída pelo estudo da ciência e espiritualidade. Lia absolutamente de tudo e foi aí que notei que estava adquirindo uma bagagem intelectual muito grande. Então tomei a decisão de compartilhar (este pouco que sei) com as demais pessoas porque se hoje eu sei algo foi porque alguém compartilhou comigo. No entanto, compartilhar conteúdos e momentos despertaram em mim influenciada por Sócrates, a ideia de que quanto mais eu estudo menos eu sei. Ao longo de alguns anos estudei Administração de empresas, desenvolvi meu talento com a fotografia, me tornei vegetariana pelos animais e hoje curso Psicologia. Meu objetivo através dos textos é promover uma revolução e pasmem, ela já está acontecendo! Há uma revolução silenciosa aparentemente, mas, é porque ela é interior e quero que através de meus textos você procure concentrar sua atenção não para a autora, mas, sim, para si mesmo. Eu sou um ser humano como todos os outros. E você é a pessoa mais importante para você mesmo, por isso, invista em sua saúde mental e espiritual. Valorize a vida que possui olhando através dos olhos da alma e ame! O amor quando é verdadeiro não possui identidade. Ele age onde não há bloqueio. Que entre mim e você, não haja identidade. Apenas Amor.

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