O ódio nas redes sociais é o reflexo da falta de empatia

0
309

Recentemente esteve palestrando em Santa Rosa o professor Dr. Leandro Karnal com mais de duas mil pessoas assistindo-o. Eu era uma delas. Com racionalidade ele deu o recado “A mudança é difícil. Não mudar é fatal.”. Citou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman o qual tenho vários livros e pretendo ler todos. O conceito de modernidade líquida foi construído por Bauman e ele escolheu “líquido” como metáfora para definir o presente. Vivemos um forte individualismo e efemeridade das relações humanas. Segundo ele, “nada foi feito para durar”. Não possuo conhecimento, nem preparo para discordar deste influente estudioso. Creio que falar sobre sociedade exige muita profundidade no assunto e isso te me deixado em choque.

O que me inquieta é o famoso debate virtual. Ao abrir uma rede social nos deparamos com inúmeros conteúdos de todos os tipos e obviamente há uma enxurrada de comentários a favor e contra em cada um deles. Todos que digitam tem razão. Absolutamente nenhum se sente em desacordo, porém, a instalação do conflito é rápida. A desarmonia acontece num estalar de dedos. É possível que inventem mais tarde a morte virtual, porque o ato de desfazer amizades já está sendo colocado em prática. Há uma guerra entre o mundo público e privado. Privacidade quase não existe. Se eu corto um pão, eu posto. Se eu olho um cachorro na rua, eu posto. Se compro um chuveiro novo e caro, eu posto. Ninguém precisa saber disso, mas, eu tenho esse poder. O que eu posso não estar consciente é que a Internet não é a sala da minha casa, nem meu quarto, nem meu computador. Internet é o mundo. Se eu postei algo, tenho que aguentar o que vier.

Tive a oportunidade de acompanhar calorosas discussões no Facebook. Uma delas foi a postagem de uma amiga cuja frase publicada foi uma cruel Fake News. Obviamente houve quem a apoiou, mas, a maioria desceu a lenha. Ela ousou escrever que não entendia porque a publicação gerou tanta polêmica, mas, o seu verdadeiro intuito era promover um “debate”. Senti uma forte vontade de convidá-la a juntar-se a mim pessoalmente para isso, afinal, creio que debate saudável só se faz pessoalmente. Se eu não olhar nos olhos da pessoa que deseja expor uma opinião e se eu não posso analisar o seu comportamento, jamais conseguirei entendê-la. É impossível saber o real objetivo de outra pessoa se eu não a vejo. Pior é, se eu nunca a vi na vida. Para compreender a atitude de qualquer ser humano, devemos primeiro saber que por trás de uma ação há uma emoção ou várias delas. E virtualmente isso não existe. Em discussões na internet não existe empatia.

Mas, por que há tanto ódio nas redes? Por que pessoas normais fazem o mal? Essas perguntas me levaram a estudar o trabalho de Simon Baron-Cohen, professor de Psicopatologia do desenvolvimento e diretor do Centro de pesquisas sobre Autismo da Universidade de Cambridge. Em seu livro The Science of evil (A ciência do mal) sem edição no Brasil, Simon busca encontrar a origem da crueldade humana e explica o poder e influência da empatia com base em trezentas pesquisas na área em mais de oitenta universidades. As pesquisas mostram que fazer o mal pode não ser uma questão de liberdade, mas, o cérebro de que pratica crueldades apresenta uma deficiência.

O cérebro humano possui o “circuito da empatia” que envolve cerca de dez regiões cerebrais que são ativadas durante o processo reconhecimento “de si no outro”. Há duas partes especificas que faz com que o cérebro identifique rostos e o reconhecimento das emoções no outro. Quando este circuito não é ativado a empatia não acontece. No caso dos psicopatas, sabemos que a empatia é zero. Quando não há empatia, acontece o processo de coisificação. Se o meu cérebro não identifica as emoções de uma pessoa, logo, ele não a reconhece como gente. Isso mesmo. Portanto, se eu desfazer uma amizade no Facebook, não preciso olhar para a pessoa do perfil nem na rua se eu por ventura, encontrá-la, daí a ideia da morte virtual. Posso nunca mais olhar no rosto de alguém simplesmente porque eu a excluí. É mais fácil terminar um namoro pelo Whatsapp porque não vou sofrer tanto quanto pessoalmente. Meu cérebro desativa a empatia quando eu vejo somente uma foto, como a popular do perfil. Portanto, temos a tendência de fazer o mal como um psicopata, basta continuarmos treinando nosso cérebro para isso. Porém, não vamos deixar morrer a esperança. Priorizemos as relações humanas e que elas sejam interagidas pessoalmente. Se eu publicar sobre algo que você odeia, não se meta no meu post. Interaja somente com o que você gosta. Não alimente coisas ruins na sua vida. Quer discordar? Fale comigo pessoalmente e de forma saudável. Quero saber da sua subjetividade. Do que você viveu, sofreu e/ou aprendeu e como esse conteúdo incomoda sua personalidade. Não tenha medo e não fuja. Não quero especular a sua vida. Quero entender o que há por trás das suas emoções. Não me leve a mal. Só estou querendo ser humana de frente para outro ser humano.

Apoiadores:
COMPARTILHAR
Artigo anteriorCoopermil comemora seus 63 anos de fundação em Agosto
Próximo artigoProfessores youtubers! Quem são eles?
Daniela Machado da Luz
Me chamo Daniela Machado da Luz e é com muita alegria que faço essa parceria com o Portal Plural. Vos digo, que aos 15 anos de idade, eu achava ser alguém que sabia algo. Aos 18, vi que não sabia muito, só conseguia ver que minha existência se igualava ao tamanho de uma pequena pedra no meio da poeira. Aos 19, morei perto da praia e acreditem, transformei-me em grão de areia. Então, agora com 21, há quem me pergunte “Você realmente existe?”. Não estou me tornando em nada porque do nada não vim. O nada não existe. Apenas tento viver consciente de que eu e o Universo inteiro somos Um. Desde cedo fui uma leitora voraz e logo fui atraída pelo estudo da ciência e espiritualidade. Lia absolutamente de tudo e foi aí que notei que estava adquirindo uma bagagem intelectual muito grande. Então tomei a decisão de compartilhar (este pouco que sei) com as demais pessoas porque se hoje eu sei algo foi porque alguém compartilhou comigo. No entanto, compartilhar conteúdos e momentos despertaram em mim influenciada por Sócrates, a ideia de que quanto mais eu estudo menos eu sei. Ao longo de alguns anos estudei Administração de empresas, desenvolvi meu talento com a fotografia, me tornei vegetariana pelos animais e hoje curso Psicologia. Meu objetivo através dos textos é promover uma revolução e pasmem, ela já está acontecendo! Há uma revolução silenciosa aparentemente, mas, é porque ela é interior e quero que através de meus textos você procure concentrar sua atenção não para a autora, mas, sim, para si mesmo. Eu sou um ser humano como todos os outros. E você é a pessoa mais importante para você mesmo, por isso, invista em sua saúde mental e espiritual. Valorize a vida que possui olhando através dos olhos da alma e ame! O amor quando é verdadeiro não possui identidade. Ele age onde não há bloqueio. Que entre mim e você, não haja identidade. Apenas Amor.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui