COPA DO MUNDO: BENEFÍCIO OU DESPERDÍCIO

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O ano é de Copa do Mundo, estamos no início da competição, e o mundo inteiro está impressionado: muitos com a beleza do espetáculo, outros com os excessos, com as fortunas investidas pelas seleções, pelos patrocinadores, pelo comércio e pelos torcedores, que levam recursos dos mais variados países para os locais dos jogos.

As opiniões se dividem, mas se destacam no Brasil as de quem vê tudo isso como desperdício, diante de tanta miséria que enfrenta o país, na saúde, na educação, na cultura… e não é difícil calcular que sendo o 3º país que mais comprou ingressos (72.500 até maio), os valores, entre passagens, hospedagens, manutenção, lazeres e ingressos, poderiam resolver os problemas de muita gente daqui.

Concordamos que os recursos sempre podem ser melhor aplicados, que é um contrassenso tanta gente gastando com o supérfluo diante de tantas carências no mundo… mas existem vários outros “lados” nessa cena.

É certo que devemos manter o olhar crítico, perceber o que podemos fazer melhor, mas não há como negar o impacto positivo que o futebol traz para o nosso país, quanto à esperança que dá alegria aos menos favorecidos, e os impactos que o esporte, de maneira geral, produzem nos mais diversos lugares do globo, em especial a confraternização e o respeito, e em destaque, a promoção social. A aproximação entre as culturas, a verificação das semelhanças que nos fazem irmãos perante Deus, o diálogo entre nações antagonistas, são valores imensuráveis, que não se pode calcular em moeda alguma.

Quando uma competição como essa proporciona a imagem de Vladimir Putin, presidente da Rússia, e o Rei Salman, da Arábia Saudita, nações belicosas, apoiadoras de conflitos armados, que investem alto nas forças armadas, sentados lado a lado, pacificamente, apreciando uma partida de futebol entre sorrisos de um respeitoso bom humor, só podemos pensar em como Deus encontra caminhos para a fraternidade e a paz sem nos retirar a liberdade de escolha, transformando tudo em oportunidade de crescimento.

Quando assistimos a estádios lotados de pessoas em pé, vestindo camisetas que representam países que estão prestes a se enfrentarem em campo, e que cada lado assiste ao outro cantar o seu hino com orgulho, reconhecendo o amor à pátria que o acolheu, só podemos pensar na consolidação do amor pelas coisas de Deus, não só pela Natureza do local que o sustenta, mas pela organização humana que o abriga, ocorrendo tudo com o máximo respeito, em alegria, em paz, esses valores, de patriotismo e de fraternidade, somados aos valores próprios do esporte, de confraternização, de disciplina saudável, de superação e tantos outros, fazem valer os valores investidos.

Lógico que, por outro lado, vemos atitudes bastante revoltantes, como o humor pernicioso dos bullies, como os torcedores que assediam pessoas de outras línguas se aproveitando das dificuldades de entendimento, as extravagâncias de seleções como a nossa, com gastos desnecessários e exorbitantes, mas tudo isso são posturas que não se generalizam, e não são decorrentes do esporte, da competição, não devendo ser vinculadas a ela. São as experiências positivas como a do esporte que educam, dignificam e amadurecem espiritualmente o ser, elevando-o para Deus, na sua sublime destinação.

Informa-nos a questão 115 de O Livro dos Espíritos que não existem Espíritos criados maus, mas que todos nós fomos feitos simples e ignorantes, com a missão de nos desenvolver pelos próprios esforços, estando todos nós fadados à perfeição. A ignorância, combateremos pelo saber; a simplicidade, venceremos com a complexidade, e isso não implica em deixarmos de ser humildes, pelo contrário: implica em consolidarmos valores como a humildade perante as nossas conquistas, o aumento da nossa capacidade. Uma vez que somente a liberdade pode nos trazer autonomia de escrever a nossa própria história, nos fazendo únicos, individualidades, a vida se desdobra nas escolhas que fazemos perante as provas apresentadas por Deus. Somente Deus tem o poder de combinar pessoas e situações, sendo toda a criação humana temporária, a serviço do aprendizado. Situações como a que estamos comentando, onde vemos defrontados interesses contrários, conflitantes, decorrem dessa possibilidade de escolhermos um caminho próprio, no qual nos unimos a alguns, nos afastamos de outros, mas que sobretudo devem prevalecer os valores primordiais da paz e da fraternidade, o respeito ao direito do próximo.

Sendo assim, que sigamos a batalha pela conquista dos principais direitos, da subsistência, da dignidade, com disciplina, com muito trabalho, mas sem excluir da vida a alegria, a disposição, a confraternização que lhes são próprias, tentando enxergar o lado bom das coisas, e agindo para que se perpetue somente o que de bom há, porque em todos nós habita Deus, e todos nós ao Criador nos dirigimos.

Que essa competição possa servir para reforçar os valores do bem, e que aqueles que enxergam em outras atividades caminhos mais apropriados para esses valores, que veem na Copa do Mundo uma “perda de tempo”, um desperdício, que siga focado no seu caminho, mas que todos nós respeitemos a escolha dos demais, para que acima de tudo paire o amor, direcionando a todos nós.

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Horas de Luz
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