Jugo leve, fardo suave

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O livre-arbítrio, sem dúvida, é das maiores bênçãos recebidas pela Humanidade, a faculdade que nos torna soberanos entre as criaturas terrestres, e sem a qual, por mais possamos estar com as necessidades atendidas, em um contexto confortável, material e emocionalmente, não conseguimos sentir felicidade. Não é difícil imaginar a insatisfação de quem vive sob amarras, sem poder fazer as próprias escolhas, ou a escolher sob coação.

A Terra é um local destinado ao aprimoramento dos seres, obedece às leis morais que estão contidas em tudo o que observamos, as leis de liberdade, de progresso, de justiça, amor e caridade, e tantas outras, estampadas em cada elemento da Criação; nela, constatamos que cada ser encontra os elementos que atendem às suas necessidades, e que possui a capacidade de buscar esses elementos, num ambiente compartilhado, em que uns, pelo simples fato de existirem e lutarem por si, acabam beneficiando aos outros, auxiliando na sua sobrevivência. Vemos nessas realidades, juntamente com os processos naturais a que foram submetidos os inanimados, a bondade, o amor, a justiça de Deus, ou como preferir chamar a inteligência soberana que coloca o todo em harmonia.

Imaginemos a dificuldade de fazer coexistirem espécies tão diferentes, com tantas necessidades diferentes; incluamos nessa reflexão a espécie humana, com sua infinita diversidade das personalidades, que com a liberdade de escolha, o livre-arbítrio, torna a administração da Criação somente possível a uma inteligência divina, superior, a um coração de sentimentos sublimes, muito acima de qualquer entidade humana. Essa inteligência, em perfeita comunhão com o pensamento de Deus, de sentimentos sintonizados ao amor verdadeiro, às correntes vigorosas e complexas do Bem, que partem do Criador e sustentam a todos nós, essa entidade que alcançou patamares acima das paixões e fraquezas humanas, é o Cristo Jesus, que envolve a Terra sob a sua orientação cautelosa, assegurando que as nossas más escolhas não comprometam o planejamento divino de trazer para Si cada uma de suas criaturas.

Quando falamos no jugo suave e no fardo leve propostos por Jesus, logo nos vem à mente a liberdade. Como pode o Cristo, que veio para nos libertar, para nos salvar, oferecer um jugo, que é como uma canga, como quem afirma que nos encarregará de deveres? Como pode oferecer um fardo, um peso a carregar, que possa nos fazer livres, mesmo que atrelados a alguma responsabilidade?

As paixões a que estamos submetidos, nossos desejos, são predominantemente materiais. Para quaisquer projeto a que nos entreguemos, seguem diversos deveres, que os aproximarão das conquistas almejadas. Pois bem, é uma exigência de toda a conquista uma busca, uma série de ações que favorecem os resultados desejados. Para qualquer paixão menos digna, para atender a vontades que não beneficiam muito mais do que a nós mesmos (no máximo a familiares, amigos…), necessariamente vinculamos pensamentos e atitudes não menos egoístas, pessoais e conflitantes com o interesse geral. São jugos grosseiros e fardos pesados que nos ferem, e cedo ou tarde nos extinguirão as forças, porque não nos fazem crescer realmente, mas nos trazem o comodismo que atrofia as forças, e a insegurança da perda, que nos afasta das pessoas.

Por outro lado, o jugo suave e o fardo leve, oferecidos por Jesus, são o atendimento das pequenas responsabilidades do dia-a-dia, o pensar e agir com a consciência, fiscal vigilante das nossas intenções, fiel às leis divinas, que nos faz mais fortes, porque nos exercitam a paciência, a perseverança, e nos aproximam dos outros, porque nos faz benfeitores e simpáticos às aflições alheias, que na realidade, nos são familiares – os sofrimentos humanos têm bases semelhantes: as nossas imperfeições.

O Cristo não nos impõe qualquer decisão: convida-nos a avaliar as leis divinas, a agir livremente, conforme a própria consciência, no sentido do bem, nos mostrando não como fazer, mas em que sentido fazer, sugerindo que direcionemos nossas ações para o melhor; mas o “como fazer” é por nossa conta. Essa liberdade para escolher a forma de fazer o bem é o que nos faz únicos, e nos integra ao todo voluntariamente, sem coação. Lourival Lopes nos fala em sermos pessoas “algodão”, e não pessoas “espinho”. Significa sermos alguém que busca o bem de todos, que age com cérebro e coração voltados ao progresso e à paz. E as tantas promessas, de felicidade, de plenitude, que seguem a sugestão do Amado Guia, Jesus, são certamente garantias perante o espetáculo de harmonia e cooperação que verificamos em tudo o que existe, esperando a quantos se esforcem por integrar esse conjunto.

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