PATER-MATERNIDADE E RELIGIOSIDADE

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Desde a concepção de uma criança, um fenômeno muito importante ocorre: o homem torna-se pai, a mulher torna-se mãe, e cada um toma para si responsabilidades bastante amplas e essenciais, que convergem no sentido de auxiliar na formatação do caráter do indivíduo que está se formando. Essa formação, que se dará mais intensamente nas fases iniciais até o início da idade adulta, não necessariamente chegará a termo, se encerrará, pois estamos em constante crescimento. Contudo, no início, enquanto estamos sob a condução, posteriormente sob a orientação dos nossos pais, estamos mais maleáveis, receptíveis à educação, mais facilmente recebemos valores e podemos desenvolver posturas e condutas que integrem respeito, dignidade, humildade, entre outros valores essenciais para que se possa considerar esse novo ser como formado, capaz de gerir a si próprio de maneira integrada ao ambiente, ou seja, usufruindo moderadamente dos benefícios, colaborando para a manutenção dos recursos e sem prejuízo dos demais indivíduos.

Dentro disso, duas questões surgem: uma referente ao início da paternidade e da maternidade. Como podemos afirmar que se inicia na concepção? Quando compreendermos que o ser humano é mais que um corpo, que a alma é o verdadeiro centro dos pensamentos e sentimentos do indivíduo, que não pode a matéria inerte e irracional produzir seres e organizações tão complexas e progressivas, mas sim, provir de uma origem superior em inteligência e sentimentos, fica fácil entendermos que a influência entre os seres, notadamente sobre os filhos, não se dá somente através dos cinco sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição; mas a influência alcança o espírito, pelos canais invisíveis da alma. Todos nós temos histórias de como a presença de certas pessoas influenciam no nosso sentir, mesmo sem tomarmos conhecimento da presença pelos sentidos físicos. As correntes vibratórias dos pais envolvem os filhos desde a concepção, por isso a tarefa de bem influenciá-los se inicia desde antes do nascimento.

A segunda questão é quanto aos pais não consanguíneos, aquelas pessoas que adotam ou se responsabilizam por crianças, o que sabemos ter a mesma importância aos olhos de Deus, e que da mesma forma exercem aquela influência velada, silenciosa, sobre esses filhos, que recebem não só as palavras, olhares, argumentos, os carinhos e as repreensões, mas também recebem do que vibra o coração, do “ambiente psíquico” criado pelo teor dos pensamentos dos pais. A ideia da influência durante a gestação da criança nos dá a noção de como essas influências independem do contato físico, da comunicação ostensiva entre os seres.

Diz-se que a figura paterna é importante para a criança por diversos motivos, entre eles a noção inicial da multiplicidade de indivíduos no círculo familiar da criança, depois a figura diversa da mãe, com os caracteres tipicamente masculinos, mas entendemos que a importância está em a criança perceber a multiplicidade de faces do espírito humano, independente se essas figuras sejam preenchidas por pais ou mães, avôs e avós, tios, quem quer que seja, desde que contribua para a formação do caráter com a paciência, a humildade, a honestidade, a dignidade, etc.

Dentre esses tantos valores a serem transmitidos, dos mais transcendentais é a religiosidade. Talvez o que melhor reúna os demais valores. Independentemente de qual a religião que se pratique, aliás, acima das religiões, a religiosidade, um sentimento que norteie ações, que inspire e expanda as reflexões, que empolgue e compense os sacrifícios, a dedicação, que nos faz escolher pensar e agir melhor do que habitualmente fazemos. Valor difícil de ser explicado, mas que se transmite daquela mesma forma sem palavras. Assim, desde o primeiro contato, seja ele mental (na concepção) ou por palavras, gestos, podemos receber a influência desse sentimento que eleva, que nos faz questionar e equilibrar nossas manifestações.

Assim, seja desde a gestação, desde a adoção, enfim, desde o encontro entre duas pessoas, entre duas almas com os destinos ligados, é importante que se tenha para oferecer a religiosidade, sentimento que é inegavelmente secundado, desenvolvido e fortalecido por uma religião humana, que conduza a Deus – a entidade superior criadora e diretora da Vida, através de valores morais edificantes da individualidade e coletividade humanas.

Todo contato com pessoas nos impressiona de alguma forma. Parece-nos lógico que Deus administra sabiamente quais as influências que cada um de nós poderá receber, considerando a liberdade que cada um tem de pensar e agir. De nossa parte, podemos escolher causar as melhores impressões, comover no sentido de transmitir os valores morais do bem, nos esforçando por compreender o que nos chega das pessoas, a fim de que boas e más ações nos sirvam para o aperfeiçoamento próprio, a evolução, a construção da nossa humanidade, da nossa integralidade como seres humanos. Que tenhamos recebido dos nossos pais, familiares, da sociedade, quaisquer ideias e exemplos, mas que as nossas atitudes consistam, naturalmente, em exemplos de bem agir, de justiça e equilíbrio.

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