Volta às aulas: disciplina e espiritualidade

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Passadas as semanas iniciais da volta às aulas, crianças e jovens enfrentam os problemas da disciplina, os desafios da disposição. E falamos em problemas e desafios no sentido de que, mesmo sendo reconhecidamente proveitosas a disciplina e a atividade, não deixam de provocar momentos complicados nos lares.

Acordar mais cedo, seja para ir para a aula ou para realizar os deveres de casa, abrir mão de lazer, de diversão, para cumprir com os deveres, são imposições que muitos dos estudantes custam a aceitar, gerando dúvidas e conflitos de valores para alguns adultos, incumbidos da árdua tarefa de educar.

Falando em educação, levantamos importante conceito que nos auxilia nesses conflitos. Educar é mais do que instruir. Segundo Joanna de Angelis, Espírito de grande elevação moral e intelectual que auxilia na tarefa do médium Divaldo Pereira Franco, os processos educativos de natureza moral possibilitam “a aquisição de hábitos saudáveis, edificantes e que produzem harmonia no grupo social, a transformação das tendências agressivas e dos sentimentos de baixa estima para melhor, o esforço para qualquer realização”, da mesma forma que, através do estudo, “ocorre o desenvolvimento cultural e intelectual, num somatório de valores que enobrecem o ser humano”.

De fato, a rotina de frequentar as aulas, a realização de estudos e trabalhos prescritos pelos professores, e as várias atividades que devem se ajustar a essa rotina, desde a higiene, o cuidado com os objetos pessoais, e principalmente a convivência com os demais membros do lar e da escola, promovem a educação integral do ser, que mais do que cultura e intelecto, é a aquisição de valores e edificação dos sentimentos do indivíduo.

Desde já, podemos pensar que, num futuro breve, para uns mais do que para outros, os jovens terão que assumir responsabilidades, organizar o seu tempo para cumprir com diversas obrigações, para o que precisam estar muito bem preparados. Maria Montessori, médica reconhecida por suas pesquisas e métodos na educação das crianças, afirma: “Nunca ajude uma criança numa tarefa em que ela se sente capaz de fazer”. As atividades do dia-a-dia são a “academia” para as forças físicas e espirituais do ser humano na infância e na adolescência, sem as quais fica difícil vencer os desafios naturais que a vida oferece.

Todos os esforços com fins positivos são válidos, e levarão, cedo ou tarde, mais ou menos arduamente, ao progresso, a realizações. Mas é muito importante que se ressalte: a DIREÇÃO é tão importante quanto a força, para um deslocamento seguro. E é aí que entra a parte moral da educação, que melhor se processa nos meios religiosos, que buscam a compreensão das finalidades transcendentais da vida, da alma, não só justificando os rigores da vida, sem fundamentos, mas examinando, não com micros e telescópios, mas com os instrumentos próprios da Natureza, o sentido da vida humana. A vida material é complemento da espiritual, que não pode ser menoscabada por ser menos percebida.

É perfeitamente compreensível o carinho dos pais e responsáveis pelos filhinhos, a preocupação em não expor os sujeitos de seus afetos a dificuldades desnecessárias. Querer que seu filho durma um pouco mais, aproveite as brincadeiras, sorria e seja feliz, é perfeitamente normal e aceitável. Mas não podemos perder de vista o quão importante é a preparação para o que virão a enfrentar, mesmo porque não sabemos quanto e como poderemos estar junto deles para auxiliá-los. À maneira de um agricultor, cultivemos os sentimentos e a sabedoria dos nossos pupilos, para que conquistem, o quanto antes, as condições de, por si próprios, trabalharem pela felicidade e realização, úteis ao meio que os recebe e senhores da própria realidade.

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